segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Medo



O medo impele os audazes. A sorte os favorece.

O medo é um instinto necessário para qualquer ser vivo. É ele que nos coloca em alerta e garante a sobrevivência.

Ter medo é saudável e recomendável. O problema é quando o "sentir medo" se torna mais gratificante do que sobrepujá-lo.

O tema reincidente no filme Alexander, de Oliver Stone é o medo impulsionador de Alexandre, o Grande, rei da Macedônia e conquistador do mundo oriental.

Da mesma forma em que o medo pode paralisar (basta lembrar alguns comportamentos miméticos na natureza, onde o animal finge-se de morto instanteneamente), pode, por impulso, arremessar a pessoa ao encontro de seu elemento gerador, movimentando grande energia psíquica para a reação e para ação.

Como já escrevi uma vez neste blog, a civilização cobrou preço alto para seu estabelecimento e Freud nos alerta que trocamos a liberdade pela conveniência. Passamos a preferir a manutenção do status quo e deixamos a conveniência nos arrancar o tônus muscular, a força de nossas mandíbulas e nossa "força de vontade". Somos flácidos corporalmente e mentalmente.

A iminência do perigo real nos aguça os instintos, acelera a adrenalina para permitir a prontidão para ação, agudiza a análise do momento e deveria impelir à ação.

Alexandre era jovem e inquieto. Aos 20 anos era rei da Macedônia. Tinha suas dúvidas e auto afirmações a consumar. Sabia. Foi educado por Aristóteles e conhecia o mundo da época. Sabia que o continente alongava-se para depois da Pérsia e que pelo mar poderia voltar ao Egito e a seu mundo conhecido.

Conhecimento é a base da competência. Habilidade é o segundo ponto: ele foi educado como guerreiro e estrategista, como príncipe macedônio que era. E a atitude era sua marca pessoal: diante do medo, a impulsividade o impelia à ação, retirando do conhecimento e da habilidade os elementos necessários para ter sucesso. Nunca perdeu uma batalha.

O medo era a fonte geradora de sua grande energia psíquica. Seu comportamento audacioso era avaliado como petulância e instabilidade. Foi conquistador e sanguinário. Destruiu o império de Dario III e apossou-se da Pérsia e Egito.

Ao mesmo tempo era o Defensor da espécie humana, sendo este o significado de seu nome. Como helênico que era respeitou culturas, famílias e incentivava a união de macedônios, gregos e povos conquistados.

Alexandre usava o medo em seu favor, para gerar impulso e ação. E a sorte o favoreceu.

Ninguém mais igualou-se em realizações e conquistas.

Alexandre sentia medo e foi Magno, o Grande.

Ci vediamo presto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ser iluminado




"O progresso nem sempre é uma unanimidade".

O que é mais triste é encontrar jovens que não sonham, que não criam e não acreditam.
Se fossem velhos, voi-lá.

Columbus disse que os iluminados carregam o peso de todos os demais.

As grandes mudanças vieram de iluminações, enlightenings e de ações igualmente grandes.

Se seu corpo muda a todo instante.
Se suas células se renovam inteiramente à cada 7 anos.

Então, será que você é o mesmo com toda essa renovação?

Mudar é algo intrínsecamente humano. É adaptar-se e readaptar-se, quando necessário.

É transformar a si e ao mundo.

Enlight yourself!

domingo, 30 de agosto de 2009

Cristóbal Columbus



Parlez-vous Français?
Non, monsieur.
Je ne parle pas Français.
Mon vocabulaire c´est petit, monsieur.
C´est ça!


Você é competente? Em quê?

Afinal o que é competência?
É conhecer, desenvolver habilidades e realizar.

É muito bom ser surpreendido em uma situação desafiadora e você reagir com suas competências e se sair relativamente bem.

Ser desafiado, querer avançar em conhecimento e em espaços deveriam ser desejos de todos os seres humanos.

Esta semana assisti de novo ao filme "1492- Conquest of Paradise" e sempre é bom pensar em Cristóvão Colombo, genovês, navegador, estudioso das grandes teorias náuticas e físicas que indicavam a existência de terra navegando em linha reta à partir da Europa.

Colombo foi um dos grandes que me marcaram na adolescência: sabia, desenvolveu habilidades e agiu. Desafiou o oceano e as regras da época, porque intuía que a terra estava lá.

E pensar que uma embarcação era como uma casquinha de ovo à mercê das intempéries e sobre toda a energia dos oceanos.

O ato grandioso de Colombo não foi chegar à terra do outro lado do Atlântico. Isso foi realizar.

O que foi grande em Colombo foi quebrar os dogmas da época sobre monstros e o fim dos mares, sobreviver à Inquisição, persistir até conseguir apoio da rainha de Castilla y Aragón e articular os interesses da coroa e igreja ao seu projeto de chegar às Índias.

Trouxe o Novo Mundo como hálito de redenção ao Velho.

Quando penso em competência, penso em Cristóbal Columbus.

Lá, depois da curva, o que é que tem?

Au revoir.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tércio & Elvis


Suspicious mind. Love me tender. You are always on my mind.

Minhas fases revival sempre vão e vem e, neste último período, tenho recebido as visitas de minhas primas e primos em meu orkut, deixando recadinhos e revirando minhas fotos nos álbuns.

Relembrar os momentos da infância é se alimentar de afeto e aconchego para, então, voltar olhar para o futuro.

Devido aos encontros virtuais de nossas memórias de primos, minha viagem ao passado me trouxe Tércio & Elvis.

Ouvindo A little less conversation dois dias atrás, me dei conta de que Elvis e Tércio estão vinculados em minha lembrança. Mais que vinculados: um não existe sem o outro.

A última vez que vi meu primo Tércio já faz alguns bons 20 anos.

Ele já não era mais o garoto gordinho do qual me lembrava. Estava homem e com um ar semelhante a minha avó Maria Gimenes.

Tércio era terrível e inquieto. Sempre aparecia com umas tiradas absurdas ou estórias malucas, invertidas. Tirava um barato de tudo, fazia a gente ficar com raiva ou vexada pelas troças que pregava. Era raro um momento de conversa "normal" com ele.

Eu tinha 10 anos, ele uns 12 e conversa não existe entre crianças dessas idades, ele já pré adolescente. Meu primo Tércio era surreal para mim, garota tão inibida e sem graça que eu era. Em meu álbum do orkut existe uma foto em que eu e ele éramos "casal" de honra no primeiro casamento da prima Priscila. Eu com 4 anos e ele com uns 6 anos. Imagine: os dois doidinhos pra largar a mão do outro! Que micos fazem a gente passar, né, mãe?

O Tércio era uma incógnita para mim. Eu não o acompanhava e, nem de longe, eu o entendia.

O que ele não sabe é que onde Elvis está, ele está junto. Para mim, claro.

A coleção de LPs de Elvis Presley que ele tinha àquela época era algo fenomenal para 1976. Ele se orgulhava de ter TODOS os Long Plays gravados até então (e olha que muita gente que está lendo este post não sabe o que é Long Play). Eu olhava aquelas capas coloridas, ouvindo o que ele dizia e flutuava nos ares de minha total ignorância de criança.

As capas de LPs, as músicas que eu ouvia, os macacões ultra-sexies que Elvis usava, com aquelas costeletas másculas toda vida, foram sendo amalgamadas às lembranças de Tércio.

Hoje entendo que a inteligência dele estava lejos da minha à época. Era demais pra mim.

Tércio, meu querido primo: dedico à você este post, sem saber bem ao certo onde você está aí em Santa Catarina e como está a situação de vocês após as enchentes.

Espero que goste das lembranças ternas e da pequena homenagem.

O tempo passa, a gente envelhece por fora, mas carrega um oceano de boas lembranças por dentro, lembranças que nos mantém vivos e aquecidos!

Aloha!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Camiños de hierro


La estoria de mi familia es toda compartida com la estoria de los trenes.

La familia Costa y la familia Prado Veiga desde el comienzo de sus vidas en Brasil estuvieron cerca los trenes y las carreteras de hierro.

El sonido del tren, la gente que ia y venia, el desarollo de pequeñas ciudades através del tráfico de gentes y cosas por los trenes.

Fue con gran orgullo que mi bisabuelo Firmino Prado Veiga (en la foto) empezó dedicarse al trabajo en los camiños de hierro de un pequeño pueblo nel interior de São Paulo.

Su traje era como um aparato de honor. Su trabajo era como um compromiso con el destino del pais.

Identicamente mi bisabuelo Caetano dedicavase al trabajo en la estación de trenes en Casa Branca. Son millones de historias de la estación, las personas del pueblito, sobre el comportamiento de mi bisabuelo, tan controvertido.

Mis dos familias desdoblaron los camiños de hierro de São Paulo.

A lo mejor tengo historias de camiños y destinos.

domingo, 16 de agosto de 2009

Orient Express Route: Spiceries´ Power




A alimentação pode servir para inúmeros fins: manter o organismo vivo, ser uma rotina enfadonha ou motivo de negociação entre mãe e filho. Pode ser ainda um sacrifício ou um prazer tão grande que escraviza alguém.

Meu filho Davi dizia outro dia que o mais importante no alimento é o cheiro. É ele que vem primeiro, que cativa você e te deixa em transe alucinatório até que o objeto desejado seja degustado.

São experiências mágicas, transformadoras sentir o cheiro da comida sendo preparada, da alcaparra na carne, do alecrim, manjericão e óregano, do bolo assando, da goiabada sendo derretida, do chocolate escaldando no creme de leite e virando trufa, sem falar no café coando e silenciosamente nos torturando com seu cheiro hipnótico, muito melhor que seu gosto. Como pode? Beber café é frustrar-se ao infinito. Ele não corresponde ao seu aroma entorpecente.

O prazer do aroma e da degustação transformou o mundo, desenvolveu a navegação, criou comércio entre o mundo ocidental e o oriental. Podemos afirmar que somos fruto da corrida desenfreada pelas especiarias. Quem nunca estudou na escola que a circunavegação do mundo se deu em função da descobertas de novas rotas até as especiairias, como tentativa de quebrar o monopólio árabe, muçulmano?

E pensar que os grandes mercadores venezianos e genoveses enriqueceram aos montes ao transportar canela! Hoje é algo tão trivial que nos aleja deveras de seu passado histórico.

Se você já reparou um dia, os árabes utilizam grãos e especiarias na culinária há séculos. Na Índia a comida tem cores e aromas tão magnetizantes, quanto o cenário do país e suas cores saturadamente harmoniosas.

O livro Especiarias & Ervas Aromáticas: História, Botânica e Culinária, de Jean-Marie Pelt, nos conta como os depósitos egípcios há 2.000 anos antes de Cristo ficavam abarrotados de canela, cardamomo, ébano, gengibre, como se fossem cofres repletos de ouro.

Os gregos, na era clássica, costumavam degustar comidas exóticas preparadas com um mix de vinho tinto e inúmeras especiarias, verdadeiras iguarias culinárias. Desde muito primitivamente as especiarias estão ligadas ao refinamento.

Na era medieval, servir banquetes com pimentas, açafrão, cúrcuma, pápricas era sinal de poderio econômico e estatus social. Somente nobres utilizavam sementes e pós, que valiam seu peso em ouro.

Com o tempo e com a invasão do mercado por inúmeros mercadores (após 1500 d.C.), como tudo que há em excesso acaba virando commoditie, as especiarias passaram a ser mais utilizadas nas culinárias regionais européias e se popularizam. A Espanha começa a produzir açafrão, por exemplo, e os mercados migraram para outros objetos de desejo (talvez escravos para as terras que produziam açúcar).

Degustar pode ser uma experiência tão potente, quanto uma montanha russa ou um body jump. Já demonstro pra você!

O contato com o diferente, com o exótico e aromático mundo oriental deixou os europeus reféns de um grande poder mágico: o poder do olfato, da visão e paladar gustativo.

Você que come arroz com feijão, por exemplo, já experimentou colocar curry no arroz e folhas de louro no seu feijão? Ah! Você pode me dizer que Arroz ao Curry é coisa de grãfinos e não é comida para o dia a dia.

O curry irá te custar uns 0,10 centavos de Real e trará um aroma indiano à sua segunda-feira, além de uma cor estupenda e vibrantemente amarela. O louro custa igualmente e foi planta utilizada para coroar atletas que se igualavam aos deuses, vencendo os jogos nas Olimpíadas gregas. Além de presentear você com um sabor ligeiramente ácido e verde.

Sim. Sabor tem cor, sim! E à isso damos o nome de Sinestesia!

Degustar um Kolhapuri Kombdi ou frango com gergelim, coco, sementes de papoula, pimentas, cúrcuma e com uma pitada de cravo em pó e canela, pode ser uma viagem sideral.

Os sabores são registrados em diferentes partes de nossa boca: a língua pode captar o sabor doce em sua ponta, a acidez em suas bordas, o amargor na parte inferior, próximo a garganta e no meio percebemos o sabor salgado.

Comer uma comida indiana com páprica picante, coco ralado, mostarda, curry, canela e cravo em pó, faz com que seu cérebro seja bombardeado pelos sabores e estímulos em diferentes partes de sua boca e língua. Não tem adrenalina melhor!

Costumo dizer que o sabor explode em nossa boca, como se fosse uma chuva de fogos de artifícios. Uma comida pode ter um sabor ao início e outro ao final do contato com sua língua e as conexões entre eles fica lá com nosso cérebro, todo espezinhado pelos aromas, cores e sabores.

As mães sempre falam para não brincar com a comida, mas degustar um chocolate com canela, um bolo molhado com leite e cravo em pó ou um estupendo bife au poivre , como faz meu querido filho João Caetano é uma brincadeira extasiante!

Sempre brinco que as bruxas nada mais eram que cozinheiras.

Ou será que as(os) cozinheiras(os) é que são bruxas(os)??

Aproveite e assista ao filme ESTÔMAGO, do diretor curitibano Marcos Jorge, para entender o que é poder.

Ci vediamo presto!

Realidade, passe amanhã!




Vivemos como em sonho.

Para seu domingo, que começará antes do meu, deixo a reflexão sobre "Life is dream".

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.


Federico Garcia Lorca - Ciudad sin sueño - Nocturno de Brookling Bridge


Soon, be right back!