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sexta-feira, 19 de junho de 2009

As falácias do RH


Em tempos de Gestão de Pessoas, ainda ouvir alguém falar em RH é de, no mínimo, azedar os sentidos a ponto de nos gerar uma careta (tipo quando você chupa limão).

Estamos desde meados dos anos 70 em transformação social, em mudanças de costumes e práticas, repensamos a moral e a transformamos em ética individual.

Ao mesmo tempo em que a mundialização do capital foi sendo estabelecida, os movimentos sociais empenharam-se em bradar em favor de causas humanas e ambientais, gerando assim um movimento de equilibração internamente ao capitalismo, até então predatório. Não que hoje tenha deixado de ser, mas é justamente pelas forças sociais que marcharam contra o absolutismo capitalista que chegamos à era da tentativa de equilibração.

Nem entrarei no mérito da possibilidade de apenas resistir ao sistema, que Adorno e Horkheimer apresentavam, porque se assim eu o fizesse estaria desistindo deste texto. Preciso ter algo em que apoiar minha observação.

Pois bem, os movimentos sociais equilibram as forças e a administração confluiu à readaptação que o capitalismo se auto impingiu. Como bom sistema dominante, auto-molda-se pela sobrevivência (e não falo em biologismo aqui).

Com o fim da reengenharia e início da era pró-trabalhador (que sem ele não há produção e nem explorados) a antiquada estratégia de Recursos Humanos migrou para a Gestão de Pessoas, mas adequada aos novos tempos que já se instalaram.

É inadmissível hoje uma gestão de pessoas que não respeite as pessoas. Que as deixe por último no processo de trabalho e produção de mais valia. Que não as ouça e não fale com elas.

Mais inadmissível ainda é um gerente de gestão de pessoas que não atente à época em que estamos e não se adapte à ela. Recursos Humanos vem da época em que o homem era só mais uma engrenagem na roda capitalista. Alguém que ainda pense assim está, no mínimo, envelhecido.

Gerir processos humanos na administração hoje exige, antes de mais nada, humanidade e bom senso.

Se você é um gerente (ou tem um gerente) que não orienta, não avalia o desempenho e não corrige atos ou comportamentos do trabalhador, não pode dizer que está tendo problemas com ele. Isso é depor contra si mesmo.

Ao mau trabalhador está primeiramente colada a má gerência e liderança. E as palavras proferidas dizem mais sobre quem fala do que sobre o que se está sendo falado.

Cuidado com as falácias do RH, travestidas com a "pele" de Gestão de Pessoas.

Se é de pessoas, no mínimo, deve respeitá-las.

Maktub.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

In & Out


Tendências são observadas e perseguidas com ferocidade.

Administradores, designers, modistas, artesãs, publicitários de plantão e uma gama endless de pessoas e curiosos (como uma professora farsante me chamou um dia por aí) perseguem as tendências como raiders of the lost arc treloucados.

Falarei sobre tendências. E juro que me calarei para sempre. (Claro que se houver pedidos carinhosos eu considerarei um breef return).

A tendência é o futuro, logo, se você olhar pra ela, ela já não está mais lá. Muda de lugar.

Se formos analisar mais acuradamente, veremos que o que chamamos tendências nada mais é do que um mix do que "aí já está" com "aquele desejo capturado".

Pensar tendências é desde já construí-las segundo uma lógica, ou como diriam A&H*, segundo o pensamento administrado, calculado milimetricamente na prancheta e colocado em prática nos pixels da midia.

Certa vez ouvi dizer que há uma certa "Senhora da Moda" que, pousada sobre sua teia obscura, determina as tendências das próximas estações.

Estilistas, designer do mundo, produtores de moda, escolas que se virem para dar anima aos desejos mínimos da senhora.

Uma spider sobre sua teia e seus lacaios. Que bela imagem crua da indústria que mais cresce no mundo.

Pensar tendências é seguir o modelo imposto.

Digo mais: o que poderia ser uma "tendência" está inscrito naquilo que não se vê. Se você vê, então não é tendência. Já está aí e pronto.

Só os realmente criativos, mas digo de novo: aqueles que na real são criativos é que podem capturar o que não se vê, mas se sente e transformar isso em matéria.

Os artistas e loucos são os receptadores legítimos das "tendências" que flutuam por aí entre um anseio e um suspiro de angústia.

Na administração de empresas não poderia ser diferente. Pouco se escreve sobre as tendências e, em um trocadilho infame, isso demonstra a tendência dos administradores em controlar em lugar de se antenarem. "Dar a César o que é de César" disse um dia um grande líder revolucinário galileu: foi dado à esses administradores o que lhes era devido.

Aqueles que conseguem são consagrados como os gurus da área, mas logo percebemos que suas fontes de insights são corrompidas pelo engrossamento de suas contas bancárias e pelo laissez-faire que se aboleta neles, de maneira proporcional às dobras que seus torsos ganham geometricamente.

O paradoxo está instalado: ser administrador é, imanentemente, não ser um receptor de tendências. Muito menos um observador delas.

Logo, decidem-se pelo "que já é" e "pelo que vem sendo", repaginando tudo como uma tendência. É só observar a onda Vintage que se abateu sobre os mais pluggeds overthere.

Tender é "caminhar para uma decisão", logo, a ação de observar tendências está paradoxalmente equivocada e irremediavelmente morta antes de nascer.

Inch Alah.

* A&H= Adorno e Horkeimer