domingo, 28 de junho de 2009

Sweet dreams are made of this


Domingão à noite, meu filhão comigo aqui em casa, muitas conversas e idéias novas. Mas para postar não sobrou muito tempo.

Vai então uma foto do show do Nega Fulô, do dia 20/06, "disco dancing" como diz Borat.

À cada fase da vida nós vamos nos moldando, nos construindo e reconstruindo.

Vamos aprendendo a ser melhor nós mesmos.

Na foto, Rafael e Cristina, meus novos amigos e co-autores da Srta Fisher, que in realtá é criação da Eveline e a turma decidiu por adotar-me sob este nome.

Sweet dreams are made of this!

sábado, 27 de junho de 2009

Mulheres como homens mal acabados



Eu estava escrevendo outro texto, iniciado outro dia e com outra perspecitva. Porém, ao terminá-lo, não me senti satisfeita

Troquei de página branca e comecei este com a última frase do outro: O problema é que as mulheres se transformaram em homens mal acabados e tudo virou uma grande messaround!

Como mulher tive anseios de igualdade, agi, deixei aflorar minha intelectualidade, lapidei minha inteligência e tomei as rédeas de minha vida, tanto familiar, como financeira. Escolhi caminhos pouco ortodoxos e tenho os rumos do meu destino (pelo menos, eu acho isso).

Porém, nesse trajeto todo não deixei de observar o que as mulheres fazem e desejam e fui me questionando sobre o que via.

O papo de igualdade com os homens, levou as mulheres a uma deformação, que à mim é nauseante, imagine aos homens!

As mulheres hoje bebem demais. Empunham copos de cerveja como se fossem espadas. Dão vexames homéricos e perderam a noção de onde estão seus sapatos.

As mulheres hoje acham bunda de homem uma coisa linda! De onde elas foram retirar isso? Há tanta coisa em um homem para se achar lindo. Só podem estar assimilando o que ouvem e trocando o objeto.

As mulheres hoje dirigem mal. Tem atitudes masculinas ao trânsito e só faltam cuspir pela janela. Onde foram parar o bom senso e os bons modos?

Fico atônita ao ver mulheres lindas, cabelos chapadinhos, roupinhas fashions, porém dando cantadas e chamando homens para sair.

Há outras que chegam pegando e levando e depois caem em crises federais, porque a atitude não foi nada digna. Perdem-se. Esfacelam-se, virando nada.

E os homens adoram. Não tem trabalho de ir caçar. Tratam as mulheres como colegas (chamam de meu, porque perderam a capacidade de distinguir).

Você pode estar achando meu post careta. Não é.

Quando as diferenças perdem a fronteira, há algo errado. A simbiose entre homens e mulheres é sintoma de que algo está errado.

Para ser alguém, não é necessário imitar o outro. Isso é sinal de que as mulheres perderam o rumo da própria casa e muitos homens sabem se aproveitar disso.

Ao mesmo tempo tenho ouvido alguns homens dizerem suspirando e em tom melancólico: "É tão lindo ver mulher usando saia! É isso que nos lembra que elas são diferentes de nós!"

Bons tempos aqueles!

Sayonara!

domingo, 21 de junho de 2009

Ensaio sobre a Cegueira



Peguei o filme sem acreditar muito no resultado, uma vez que não gosto de Saramago e sua filosofia um tanto quanto rasa. A estória confirmou minha suspeita.

Porém, o filme foi muito bem construído e tenho que reconhecer que o final conseguiu mudar todo meu o roteiro preestabelecido.

As cenas do filme de Fernando Meirelles, de cara, me fizeram voar à lugares meus conhecidos: as casas antigas de São Paulo, o estilo art-nouveau de alguns lugares no centro velho, as balaustradas de bares do início do séc. 20, aquelas cenas familiares da capital paulistana. Maior emoção foi ver a recém construída Ponte da Água Espraiada. Orgulho bobo de paulistana desterrada.

O filme foi muito bem planejado, com esmero artístico, a dessaturação de cores que migram diretamente para o branco, as cenas indicando a barbárie sem mostrá-la cruamente, apesar de que o diretor assume que havia sido mais "contundente" nas primeiras versões.

Pois bem, a idéia de cegueira colada à perda da humanidade eram latentes ao se observar o tema e o que pretendo refletir coincide com meu último post existencialista sobre a red-haired choice e possui dois pontos básicos:

Onde está nossa cegueira?
E onde está nosso ponto cego ou nossa cegueira psicológica?


O diretor em seu blog comenta que ao mostrar a 4ª versão do filme, obteve comentários que deflagravam sua própria cegueira, como a "gelatina inútil", termo que ele usa retirado de Rei Lear.

A primeira questão nos faz pensar: eu me enxergo?

A esposa do médico, protagonizada por Julianne Moore logo ao início está cozinhando, servindo e ouvindo, funções femininas e um tanto quanto maternas. Não ouve bem seu marido médico (liga a batedeira bem alto, enquanto ele conta sobre o caso de cegueira). Ela não se enxerga e não se conhece.

O médico, seguro de si, procura encontrar uma hipótese para a "cegueira branca" ou agnosia (incapacidade emocional em reconhecer objetos). Durante o filme e as condições extremadas que se instalam, o médico depara-se com sua impotência e fraqueza humana.

A garota de programa não pode tirar os óculos escuros, porque não pode enxergar sua condição sub-humana.

E por aí vão as estórias de nossa condição pouco auto-perceptiva.

Lembrando do texto de Roberto DaMatta (autor já citado neste blog), nós não nos enxergamos sem o Outro. Precisamos do Outro como Espelho e Guia. E eu acrescentaria que precisamos do Outro para buscarmos nossa humanidade. Mas é necessário enxergarmos e vermos o Outro e através dele, nós mesmos.

Parece que o autor, Saramago, quis nos fazer pensar que a humanização vem de um instinto que seria a proteção e auto-proteção da espécie, preliminarmente mostrados na função feminina da esposa do médico.

Como única pessoa vidente, ela pode decidir e guiar. Ao início, procura manter sua condição de Diferente dos outros escondida. Está encolhida, porém cuida e guia. Demora a assumir a responsabilidade pela humanidade inteira e vencer sua falta de coragem e adaptação ao que está imposto.

Somente quando deixa sua consciência e humanidade levá-la, assume e age, guiando, protegendo e mantendo o grupo. As ações que se desenrolam nos levam a questioar onde está nossa humanidade e o que é moralmente aceito. É o que Saramago quer fazer refletir.

A esposa deixa de ser esposa. Passa a ser guerreira e líder que "tem visão". O velho negro diz ver quem ela realmente era, para além da aparência e fragilidade física. A mulher tirou de si a energia que precisava para manter e proteger.O marido fica em sua obscuridade e fraqueza de caráter.

Como ela, nós não nos enxergamos, porque estamos ensimesmados demais para olharmos no Espelho dos olhos dos outros. Não vemos, como somos vistos. Não "conhecemos, como também somos conhecidos" , parafraseando um pouco.

Aceitar que temos "pontos cegos" é sermos feridos demais em nosso narcisismo e a maioria de nós não se abre para tal. E ao estarmos tão encapsulados, perdemos a capacidade de receber, aprender e mudar.

Nossa cegueira psicológica está em nosso narcisismo pouco afeito à arranhões.

Eu teria algo mais à comentar, porém estragaria o final do filme. Sem ter os olhos dos outros, como a mulher se enxerga?

Veja o filme!

Existencialism & Red-Haired choice


Você é o que você decidiu ser.

Aqueles que dizem "eu sou assim, porque fizeram isto e aquilo comigo" estão se desculpando pela falta de coragem.

Eu ouvi uma vez que a única responsabilidade que lhe foi dada é "cuidar bem de você"!

Portanto, não adianta usar a Katia' Syndrome e dizer que "o mundo quis assim".

O preço da liberdade é o ar gelado e rarefeito das alturas. É a solidão da singularidade, ao contrário de ser "povo marcado, povo feliz!"

Pague o preço, o preço da autonomia e individualidade, decidida com consciência e responsabilidade.

Depois que você atravessa para o outro lado, o único preço a ser pago é a responsabilidade para consigo mesmo. E sendo responsável por você, você será responsável pela humanidade inteira, como Sartre disse. Se você escolhe ser humano, logo, torna-se responsável por todos os outros seres humanos e a civilização agradece.

Ouvi inúmeras vezes que sou corajosa e várias pessoas dizem admirar minha atitude diante da vida.

Atitude, como um conceito em psicologia, significa que deve haver coerência entre o que uma pessoa pensa, sente e como ela age. Esses três aspectos devem estar em consonância. Daí sim, podemos considerar que a atitude de uma pessoa é consistente.

Quando empunhei a bandeira na minha cruzada em busca da autonomia e iniciei meu processo de divórcio, as pessoas vinham me questionar e tentavam mostrar que não era boa idéia. O que o medo de mudanças faz com as pessoas, não é?

Freud considera que a civilização trouxe benefícios ao ser humano, principalmente no que se refere à repressão dos impulsos, para que haja civilização.

Porém, acrescenta que o ser humano trocou a liberdade pela conveniência. E isso trouxe infelicidade e corroeu imanentemente a civilização. Nem preciso comentar as doenças de nosso século: depressão, ansiedade, estresse/angústia, anorexia, obesidade, e por aí vai.

Ainda pensando em termos existencialistas, cada pessoa é um devir e em construção constante. À cada dia eu me torno mais eu mesma nas minhas decisões e ações, que me negam e me confirmam. Dialeticamente, a individualidade se contrói num vir-a-ser contínuo, dependente das possibilidades que são criadas ou não.

Escolhi ser Red-haired pelo significado e pela expressão de minha personalidade e força. E isso só me custou escolher a cor da tinta.

O restante, foi comigo mesma.


Se eu calei foi de tristeza
Você cala por calar

Zé Ramalho

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As falácias do RH


Em tempos de Gestão de Pessoas, ainda ouvir alguém falar em RH é de, no mínimo, azedar os sentidos a ponto de nos gerar uma careta (tipo quando você chupa limão).

Estamos desde meados dos anos 70 em transformação social, em mudanças de costumes e práticas, repensamos a moral e a transformamos em ética individual.

Ao mesmo tempo em que a mundialização do capital foi sendo estabelecida, os movimentos sociais empenharam-se em bradar em favor de causas humanas e ambientais, gerando assim um movimento de equilibração internamente ao capitalismo, até então predatório. Não que hoje tenha deixado de ser, mas é justamente pelas forças sociais que marcharam contra o absolutismo capitalista que chegamos à era da tentativa de equilibração.

Nem entrarei no mérito da possibilidade de apenas resistir ao sistema, que Adorno e Horkheimer apresentavam, porque se assim eu o fizesse estaria desistindo deste texto. Preciso ter algo em que apoiar minha observação.

Pois bem, os movimentos sociais equilibram as forças e a administração confluiu à readaptação que o capitalismo se auto impingiu. Como bom sistema dominante, auto-molda-se pela sobrevivência (e não falo em biologismo aqui).

Com o fim da reengenharia e início da era pró-trabalhador (que sem ele não há produção e nem explorados) a antiquada estratégia de Recursos Humanos migrou para a Gestão de Pessoas, mas adequada aos novos tempos que já se instalaram.

É inadmissível hoje uma gestão de pessoas que não respeite as pessoas. Que as deixe por último no processo de trabalho e produção de mais valia. Que não as ouça e não fale com elas.

Mais inadmissível ainda é um gerente de gestão de pessoas que não atente à época em que estamos e não se adapte à ela. Recursos Humanos vem da época em que o homem era só mais uma engrenagem na roda capitalista. Alguém que ainda pense assim está, no mínimo, envelhecido.

Gerir processos humanos na administração hoje exige, antes de mais nada, humanidade e bom senso.

Se você é um gerente (ou tem um gerente) que não orienta, não avalia o desempenho e não corrige atos ou comportamentos do trabalhador, não pode dizer que está tendo problemas com ele. Isso é depor contra si mesmo.

Ao mau trabalhador está primeiramente colada a má gerência e liderança. E as palavras proferidas dizem mais sobre quem fala do que sobre o que se está sendo falado.

Cuidado com as falácias do RH, travestidas com a "pele" de Gestão de Pessoas.

Se é de pessoas, no mínimo, deve respeitá-las.

Maktub.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Santas Expressões Idiomáticas!


Exatamente.

Santas expressões idiomáticas que me fizeram passar algumas poucas e boas.

Como eu contei no post da Pocahontas, sou estrangeira em terra estrangeira desde os 9 anos.

E gosto da minha vida livre de Zíngara, de Gypsy, de Cigana. Já pensei até em comprar um Vurdón e viver nele (o Vurdón é a carroça cigana com tenda redonda por cima!).

O pó da estrada nos ensina muitas coisas. A primeira delas é que você é, foi e sempre será você mesmo.

Sempre que precisar, sabe que é com você mesmo que tem que contar em primeiro lugar. Aprende a confiar em si e a resgatar tudo o que aprendeu.

A segunda coisa é que não importa aonde você for, nunca fugirá de você. Portanto, desista se você tem a idéia de "rodar o mundo" pra fugir dos problemas. Eles, ou melhor, o causador da maior parte deles irá junto de você.

A terceira coisa é que não adianta você se camuflar e tentar mimetizar os usos e a fala do lugar. Esqueça que vai conseguir falar igual aos nativos. Seu sotaque denunciará você, onde quer que você for.

Sotaque??? Sim. Todos nós temos sotaques e quanto eu me flagrei falando "você está entendendo" em sala de aula aqui no Paraná, percebi que meu jeitão paulistano não havia desaparecido. Coloque bastante som nasal nos N dessa palavra e perceberá o que estou dizendo.

A capital paulistana impingiu marcas indeléveis em mim, das quais eu nunca me livraria, mesmo que quisesse. Quando no trabalho eu chamo minha amiga paulistana de "Janethi" e acrescento "você quer "leithi quenthi"? ela entende bem sobre o que estou brincando. Sobre nossa homesick.

Mas até agora só falei de mim, santa egocêntrica que pareço ser!

A questão complicou e ficou engraçada, quando alguém falou comigo, lá em Irati, no meu primeiro mês como nova moradora da cidade.

Alguém virou e me pediu "E., me alcança o lápis?". Eu olhei o lápis ao meu lado, olhei pra ela, ela olhou pra mim e num lapso de alguns segundos pensei "o que será que ela quer dizer com alcançar?". Entendi que era "pegar" o lápis e atendi ao pedido.

Mas aquilo ficou soando estranhíssimo aos meus ouvidos...Saindo dali uma aluna, caminhando comigo e observando o ceú me diz "o céu está brusco hoje, não é profe?".

Brusco?? Santas expressões idiomáticas!

Olhei para o céu e como estava "enfarruscado", entendi sobre o que a aluna solicitava minha confirmação.

Mas agora peguei você de jeito, não é? Enfarruscado?

Talvez quem seja de São Paulo entenda o que eu disse. Esse adjetivo quer dizer "nublado", "tempo instável", da mesma forma que brusco.

O estranhamento se deu devido ao significado que "alcaçar" e "brusco" tem para mim, falante de portugês igualmente a meus interlocutores.

"Alcançar" significa esticar-se para tocar algo em um lugar mais "alto".

"Brusco" significa algo que "movimentou-se rapidamente e de forma inesperada".

Mas o gran finale vem agora.

O Denzos, amigo de meus filhos estava lanchando em casa numa tardinha morna qualquer lá em Irati e ao concluir seu lanche, me disse "Deus que ajude"!

Parei, olhei pro Davi, depois olhei pra Raquel...e depois de algum silêncio eu disse ao Denzos:

"O que eu tenho que dizer agora?"

Holy God!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Srta Fisher


"Olá! Você é a Srta Fisher, não é?"

Foi assim que a Karini veio me cumprimentar (e eu não sabia quem era a Karini até então!).

Olhei pra ela, ela olhando pra mim e sorrindo por detrás daquele girassol na roupa junina!

Daí combinamos baladas regadas à merengue, salsa e rumba lá em Curitiba, sinal que a empatia rolou legal.

O que quero dizer hoje é:

"QUEM É ESSA SENHORITA FISHER?"

Viram algo dela em mim e quero saber o que é, porque "senhorita" não deve ser!

Como eu escrevi outro dia sobre O Chamado, ser chamada por alguém pode ser tanto para o bem, como para o mal e.....quem diabos é essa tal?!?!?!

Tudo começou com a Eveline, numa tarde preguiçosa de sábado, depois de uma feijoada divina e em meio à um dolce far niente vespertino.

A Srta Fisher nasceu em mim e ainda nem sei como representá-la direito.

Claro que estou brincando com a nova alcunha que ganhei e já fui pesquisar. Mas não estou satisfeita, como uma boa ruiva mal comportada que sou.

Lady Tangerine também foi crição coletiva. O Tangerine veio após ver um filme e assumi de cara o nome.

O Lady foi adiconado carinhosamente pelo Álvaro que assumiu a autoria e o uso e manteve sua participação como co-autor do meu alter-ego. Até na festa de fim de ano, lá na frente e ao microfone anunciou que Lady Tangerine havia ganho o prêmio.

Da situação me lembro bem, mas do prêmio, não me pergunte que não tenho idéia do que tenha sido!

A força do nome. A composição de elementos percebidos e a intuição funcionaram no exemplos que demonstrei à você.

Foi tão forte a ação de composição da Eveline e do Álvaro que os nomes funcionam e foram adotados pela "receptora" (e olha que eu sou crítica³!).

Foram chamados para o bem!