sábado, 2 de janeiro de 2010

O Mundo



Sem Atitude não Criamos e não transcendemos a Experiência.

Pensando sobre esses três conceitos, olhei para a minha vida e concluí que acabo de encerrar um ciclo, iniciando outro. Este ano inicio o 4º ciclo da minha vida.

O 3º ciclo durou 10 anos e o chamarei de "Come back to life".

Explico: após 15 anos casada, me divorciei em 1999 e comecei my personal life sem nada, totalmente All by myself: sem trabalho, sem experiência, sem casa, sem família, sem dinheiro. Meu principal medo, aquilo que mais me aterrorizava era passar fome, entre outras tragédias.

Avaliando hoje os 10 anos desse ciclo, pude elencar 10 motivos que me ajudaram a ser quem sou:

1- Nunca passei fome.

2- Focalizei minhas energias em meus filhos João Caetano, Davi e Raquel, que se tornaram pessoas sensíveis, centradas, inteligentes e que buscam autonomia.

3- Ganhei dois filhos jovens, que somente acrescentam sentido e felicidade à minha vida: Carlos e Aiman.

4- Recebi ajuda inimagináveis, tanto emocionais, quanto financeiras. Pessoas me deram suporte, acreditaram em mim e investiram seu tempo, seu trabalho, carinho e até dinheiro para que eu chegasse onde estou.

5- Realizei sonhos: fiz mestrado, fui pesquisadora, professora universitária de universidade estadual e hoje sou professora de pós-graduação.

6- Ganhei amor e cultivei amigos verdadeiros. Sempre digo que amizade tem prazo de validade: muitas amizades são pontuais e passageiras, em virtude das circunstâncias. Nunca deixam de ser significativas, porém acabam. Outras tem prazo de validade indeterminado, como os bons vinhos. E recebi vintages especiais, amizades de ótima qualidade.

7- Apreendi conhecimentos em várias áreas profissionais.

8- Desenvolvi uma carreira que evoluiu conforme eu fui evoluindo.

9- Encontrei o centro de minha Roda da Fortuna e me posicionei nele. Agora sei caminhar o caminho.

10- Aprendi a contar com o inesperado, com a oportunidade que aparece, porque você está lá, com a experiência, a criação e a atitude certa.

C´est ça!

E para este ano de 2010 eu tenho o MUNDO, o arcano XXI !


Stephen Covey escreveu que existem três aspectos centrais para sermos Proativos:

* A Experiência - o que vivemos e aprendemos
* A Criação - aquilo que geramos
* A Atitude - a forma como nos posicionamos frente à experiência.

Ser proativo é ser responsável pelas próprias escolhas, ter consciência e liberdade para escolher.

Pensando nisso, como será seu próximo ciclo de vida?!

Salaam Aleikum




segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um mundo ideal?


Acabei de receber um email com duas piadinhas sobre mulheres do século 21. Falavam de auto-estima alta, independência e de príncipes que foram kiked of de suas vidas.
Fiquei aqui pensando sobre isso. Mulheres independentes (como eu já havia escrito em outro post aqui) e um imaginário idealizado de independência e potência.
Se a complementariedade se dissolve e as mulheres se tornam "homens mal acabados", caminharíamos para um mundo uníssono? Um mundo ideal, mas com pessoas mal acabadas?

Os homens à cada dia vão se aprimorando e assimilando a feminilidade.

Aquilo que, um dia, se chamou metrossexualidade estagnou-se numa meta morfose inacabada: assim como as mulheres, esses homens pretensamente são homens, porém com embalagem de mulher.
Àqueles que rejeitaram tal deformação e ainda se posicionam como homens, restou serem comparados a ogros grosseiros, espécime ainda muito requisitado entre algumas camadas da população feminina involuída. Ou restarem casados e criarem pança e careca.

Já reparou que não encontramos homens "livres"? Estão sempre atrelados à uma mulher (pelo casamento), à duas mulheres (pelo concubinato) ou à outro homem. Se acaso encontra-se um homem disponível, imediatamente vem a idéia de que "algum problema ele deve ter".
Se as mulheres querem independência, os homens não a querem? Ou não será bem essa a ordem no silogismo?
De outro lado temos as mulheres independentes que querem homens perfeitos.
Em que mundo estamos?
A mídia nos oferece uma enxurrada de ícons que não pedimos, de mulheres ativas, independentes, bem sucedidas, ultra bem cuidadas, ricas e sozinhas. Basta observar os desenhos infantis com hyper female heroins para entender que estão em fase de incubação novas mulheres potentes.

O pushing do encapsulamento está nos levando à fronteiras perigosas e salvaguardando espaços de controle antes inimagináveis.

Cada um encapsulado em sua própria individualidade, associando-se à isso tecnologias para garantir a sobrevivência do que aí já está: o sistema que oferece os fetiches e seus objetos sexuais inumanos, a facilidade de conexões via redes midiáticas sociais, a promessa de prazer ininterrupto e, para o caso de necessidade, a fertilidade in vitro para pais e mães solteiros.

Queremos esse mundo?

Saudades do tempo das relações humanas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O verdadeiro poder criador



Após um longo e congelante inverno, retorno ao meu blog incipiente com mais um texto provocativo.

Pensar é algo que nunca deixamos de fazer, pelo menos é o que mais acontece nestas minhas esferas direita (haja racionalidade!) e esquerda ( imaginando e criando).

E foi pensando que cheguei à algumas filosofias cotidianas esdrúxulas, mas que cativam alguns leitores com massa encefálica mais aguçada e sensível.

Como eu já disse pessoalmente, ser homem não é, nem nunca foi nada fácil. Às mulheres é dada a liberdade de ser e não ser ao mesmo tempo. Não existe à toa o grande dilema de Hamlet, o príncipe deprimido da Dinamarca, o de ter que refletir sobre ser OU não ser.

As mulheres são educadas por mulheres, logo, fica fácil circunavegar pelas águas informes femininas, ora profundas e densas, ora rasas e histéricas, estéreis. Para ser mulher, não há crise, a não ser aquelas relacionadas às fases lunares e fluxos que vão e vem qual a maré.

Já os homens são educados, nada mais, nada menos pelas mulheres. São as mulheres que dizem aos homens que devem ser homens. São as mães que erotizam seus filhos homens e que indicam caminhos a serem escolhidos vida à fora.

Os homens não se livram das mulheres, nunca. Criam clubes restritos, religiões excludentes, buscam refúgio em cavernas grotescas para negarem e se esquecerem das mulheres que os educam e seduzem. Mas é em vão.

É só voltar às ruas, às casas e lá estão as fotos sobre a estante, as flores no vaso, a capa sobre o liquidificador estorvando o acesso. A casa da mãe nunca fica longe demais. Alguns até exigem que suas esposas tornem-se suas mães, chegando até ao cúmulo de assim as chamarem, tal a dependência.

Os homens fogem às mulheres. Já dizia Dr. Freud que o poder da criação é feminino. É a mulher que tem o poder de gerar vida. Os mitos tentam enviesar esse poder, atribuindo-o à Brahma, Urano, Yawé. Mas a realidade é ocultada por mitos patriarcais.

Os homens fogem ao poder criador da mulher e, de alguma forma, precisam salvaguardar-se desse poder de dar e de tirar a vida.

Os mitos ancestrais contam que foi Lilith a primeira mulher de Adão. Como sua alma era indomável, recusou-se a estar "por baixo" do marido. Deus até tentou explicar que era "natural" que a mulher se submetesse, porém Lilith era livre, consciente de sua sexualidade e caminhou a estrada para fora do Éden.

Essa parte ninguém nos conta, não é mesmo?!

Lilith foi matriarca de um povo que conheceu a liderança feminina. Ela é a noite, a própria lua. Os mistérios que envolvem o feminino, provém de Lilith, mãe geradora, deusa do amor e do sexo, controladora das forças inconscientes (assim como Afrodite, Vênus, Inanna, Ishtar).

Lilith é Eros, a força do amor criador (a LUA), em contrapartida a Logos, a força da consciência, do trabalho, da realização (o SOL).

O que é racional é estreito. O que é irracional é dual, é largo e profundo, denso e raso.

Por isso que os homens fogem às mulheres. Pela força multi direcionada, multi focalizada por ser irracional e indefinida.

Segue a Cabala contando que Deus criou o SOL e a LUA como luzes para reger o dia e a noite. Como tudo é cíclico, o sol e a lua se auto completam, assim como o racional e o irracional, o dia e a noite, a luz e as trevas, o masculino e o feminino, o Yin e o Yang.

O que seria natural, então, seria a complementariedade entre masculino e feminino. Entre Adão e Lilith, entre homens e mulheres.

Como eu dizia ao início, não é fácil aos homens se livrarem do poder gerador feminino. Para isso contribuíram religiões, culturas, costumes que procuram abolir, exterminar ou sobrepujar o poder que tanto temem.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Medo



O medo impele os audazes. A sorte os favorece.

O medo é um instinto necessário para qualquer ser vivo. É ele que nos coloca em alerta e garante a sobrevivência.

Ter medo é saudável e recomendável. O problema é quando o "sentir medo" se torna mais gratificante do que sobrepujá-lo.

O tema reincidente no filme Alexander, de Oliver Stone é o medo impulsionador de Alexandre, o Grande, rei da Macedônia e conquistador do mundo oriental.

Da mesma forma em que o medo pode paralisar (basta lembrar alguns comportamentos miméticos na natureza, onde o animal finge-se de morto instanteneamente), pode, por impulso, arremessar a pessoa ao encontro de seu elemento gerador, movimentando grande energia psíquica para a reação e para ação.

Como já escrevi uma vez neste blog, a civilização cobrou preço alto para seu estabelecimento e Freud nos alerta que trocamos a liberdade pela conveniência. Passamos a preferir a manutenção do status quo e deixamos a conveniência nos arrancar o tônus muscular, a força de nossas mandíbulas e nossa "força de vontade". Somos flácidos corporalmente e mentalmente.

A iminência do perigo real nos aguça os instintos, acelera a adrenalina para permitir a prontidão para ação, agudiza a análise do momento e deveria impelir à ação.

Alexandre era jovem e inquieto. Aos 20 anos era rei da Macedônia. Tinha suas dúvidas e auto afirmações a consumar. Sabia. Foi educado por Aristóteles e conhecia o mundo da época. Sabia que o continente alongava-se para depois da Pérsia e que pelo mar poderia voltar ao Egito e a seu mundo conhecido.

Conhecimento é a base da competência. Habilidade é o segundo ponto: ele foi educado como guerreiro e estrategista, como príncipe macedônio que era. E a atitude era sua marca pessoal: diante do medo, a impulsividade o impelia à ação, retirando do conhecimento e da habilidade os elementos necessários para ter sucesso. Nunca perdeu uma batalha.

O medo era a fonte geradora de sua grande energia psíquica. Seu comportamento audacioso era avaliado como petulância e instabilidade. Foi conquistador e sanguinário. Destruiu o império de Dario III e apossou-se da Pérsia e Egito.

Ao mesmo tempo era o Defensor da espécie humana, sendo este o significado de seu nome. Como helênico que era respeitou culturas, famílias e incentivava a união de macedônios, gregos e povos conquistados.

Alexandre usava o medo em seu favor, para gerar impulso e ação. E a sorte o favoreceu.

Ninguém mais igualou-se em realizações e conquistas.

Alexandre sentia medo e foi Magno, o Grande.

Ci vediamo presto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ser iluminado




"O progresso nem sempre é uma unanimidade".

O que é mais triste é encontrar jovens que não sonham, que não criam e não acreditam.
Se fossem velhos, voi-lá.

Columbus disse que os iluminados carregam o peso de todos os demais.

As grandes mudanças vieram de iluminações, enlightenings e de ações igualmente grandes.

Se seu corpo muda a todo instante.
Se suas células se renovam inteiramente à cada 7 anos.

Então, será que você é o mesmo com toda essa renovação?

Mudar é algo intrínsecamente humano. É adaptar-se e readaptar-se, quando necessário.

É transformar a si e ao mundo.

Enlight yourself!

domingo, 30 de agosto de 2009

Cristóbal Columbus



Parlez-vous Français?
Non, monsieur.
Je ne parle pas Français.
Mon vocabulaire c´est petit, monsieur.
C´est ça!


Você é competente? Em quê?

Afinal o que é competência?
É conhecer, desenvolver habilidades e realizar.

É muito bom ser surpreendido em uma situação desafiadora e você reagir com suas competências e se sair relativamente bem.

Ser desafiado, querer avançar em conhecimento e em espaços deveriam ser desejos de todos os seres humanos.

Esta semana assisti de novo ao filme "1492- Conquest of Paradise" e sempre é bom pensar em Cristóvão Colombo, genovês, navegador, estudioso das grandes teorias náuticas e físicas que indicavam a existência de terra navegando em linha reta à partir da Europa.

Colombo foi um dos grandes que me marcaram na adolescência: sabia, desenvolveu habilidades e agiu. Desafiou o oceano e as regras da época, porque intuía que a terra estava lá.

E pensar que uma embarcação era como uma casquinha de ovo à mercê das intempéries e sobre toda a energia dos oceanos.

O ato grandioso de Colombo não foi chegar à terra do outro lado do Atlântico. Isso foi realizar.

O que foi grande em Colombo foi quebrar os dogmas da época sobre monstros e o fim dos mares, sobreviver à Inquisição, persistir até conseguir apoio da rainha de Castilla y Aragón e articular os interesses da coroa e igreja ao seu projeto de chegar às Índias.

Trouxe o Novo Mundo como hálito de redenção ao Velho.

Quando penso em competência, penso em Cristóbal Columbus.

Lá, depois da curva, o que é que tem?

Au revoir.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tércio & Elvis


Suspicious mind. Love me tender. You are always on my mind.

Minhas fases revival sempre vão e vem e, neste último período, tenho recebido as visitas de minhas primas e primos em meu orkut, deixando recadinhos e revirando minhas fotos nos álbuns.

Relembrar os momentos da infância é se alimentar de afeto e aconchego para, então, voltar olhar para o futuro.

Devido aos encontros virtuais de nossas memórias de primos, minha viagem ao passado me trouxe Tércio & Elvis.

Ouvindo A little less conversation dois dias atrás, me dei conta de que Elvis e Tércio estão vinculados em minha lembrança. Mais que vinculados: um não existe sem o outro.

A última vez que vi meu primo Tércio já faz alguns bons 20 anos.

Ele já não era mais o garoto gordinho do qual me lembrava. Estava homem e com um ar semelhante a minha avó Maria Gimenes.

Tércio era terrível e inquieto. Sempre aparecia com umas tiradas absurdas ou estórias malucas, invertidas. Tirava um barato de tudo, fazia a gente ficar com raiva ou vexada pelas troças que pregava. Era raro um momento de conversa "normal" com ele.

Eu tinha 10 anos, ele uns 12 e conversa não existe entre crianças dessas idades, ele já pré adolescente. Meu primo Tércio era surreal para mim, garota tão inibida e sem graça que eu era. Em meu álbum do orkut existe uma foto em que eu e ele éramos "casal" de honra no primeiro casamento da prima Priscila. Eu com 4 anos e ele com uns 6 anos. Imagine: os dois doidinhos pra largar a mão do outro! Que micos fazem a gente passar, né, mãe?

O Tércio era uma incógnita para mim. Eu não o acompanhava e, nem de longe, eu o entendia.

O que ele não sabe é que onde Elvis está, ele está junto. Para mim, claro.

A coleção de LPs de Elvis Presley que ele tinha àquela época era algo fenomenal para 1976. Ele se orgulhava de ter TODOS os Long Plays gravados até então (e olha que muita gente que está lendo este post não sabe o que é Long Play). Eu olhava aquelas capas coloridas, ouvindo o que ele dizia e flutuava nos ares de minha total ignorância de criança.

As capas de LPs, as músicas que eu ouvia, os macacões ultra-sexies que Elvis usava, com aquelas costeletas másculas toda vida, foram sendo amalgamadas às lembranças de Tércio.

Hoje entendo que a inteligência dele estava lejos da minha à época. Era demais pra mim.

Tércio, meu querido primo: dedico à você este post, sem saber bem ao certo onde você está aí em Santa Catarina e como está a situação de vocês após as enchentes.

Espero que goste das lembranças ternas e da pequena homenagem.

O tempo passa, a gente envelhece por fora, mas carrega um oceano de boas lembranças por dentro, lembranças que nos mantém vivos e aquecidos!

Aloha!